O estudante da licenciatura de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social do Politécnico de Lisboa, Rúben de Matos, partilha a sua visão sobre o momento que afeta toda a comunidade estudantil.

Hoje posso fazer uma aposta que tenho a certeza que vou ganhar. Se estiveres em casa, deves-me um café... Já ganhei, certo?

Não só tu, mas também eu, todos os meus amigos e colegas. Estamos todos em casa. O país e o mundo vivem uma situação excecional. Se há uns tempos te perguntassem de que forma poderias fazer algo pela história do teu país, nunca pensaste que a resposta fosse tão simples: ficar em casa.

Estamos em casa, em isolamento, mas não estamos sozinhos. Nem parados. Se estás no Ensino Secundário, não te esqueças que em 1,2 ou 3 anos tens um grande desafio pela frente para o qual deves continuar a trabalhar: o Ensino Superior. Se, tal como eu, és aluno do Ensino Superior, estes dias têm sido sinónimos de tudo menos de tempo livre. As aulas continuam (virtualmente, claro), os trabalhos para fazer amontoam-se.

 

Jornalismo

 

Nenhum de nós estava à espera de ter de ficar em casa 24 sob 24 horas. Claro que o bom tempo chama por mim. Em circunstâncias normais, no momento em que escrevo este texto estaria, provavelmente, na praia. Ou a ter uma boa maratona de risadas com amigos. Calma! As saídas à noite podem esperar. Aliás, depois de tudo isto passar não vais ter desculpas esfarrapadas para te esquivares àquela festa da Ana que está marcada há meses. Por enquanto, as festas vão ter de se ficar pelo House Party.

 

Tempo, finalmente!

Nem todas as situações negativas são assim tão más. Se fores um otimista irritante como eu, consegues perceber que nem tudo é mau nesta nova realidade que estamos a viver. O quotidiano a que estás habituado e aquele que vives em isolamento têm uma coisa em comum: os dias continuam a ter 24 horas.

Quando estás na escola ou na faculdade, queixas-te que não tens tempo para nada. Se calhar porque andas numa correria constante para conseguires apanhar a tempo e horas o autocarro ou o comboio, e porque perdes muito tempo em algo que é um luxo: PROCRASTINAR. Agora podes procrastinar à vontade. Sem culpas.


Estamos em casa, em isolamento, mas não estamos sozinhos. Nem parados. Se estás no Ensino Secundário, não te esqueças que em 1,2 ou 3 anos tens um grande desafio pela frente para o qual deves continuar a trabalhar: o Ensino Superior.


 

 

Quebrar a rotina é bom. Já tiveste tempo de o fazer por uns dias. É importante conseguires perceber que apesar de estares em casa, continuas a ter uma vida que não se resume a estar sempre na cama. Os trabalhos ainda não se fazem sozinhos.

Pessoalmente, estou habituado a ter um dia-a-dia agitado. Gosto de estar envolvido em vários projetos, e acho que há tempo para tudo na nossa vida. Procura manter na rotina tudo aquilo que te mantém ativo.

agaa

 

Aproveita para dormir as 8 horas diárias que não conseguiste dormir no período crítico do período/semestre. Define um horário de trabalho. Como estás em casa, claro que tens flexibilidade total. Mas é importante definires quando é tempo de trabalhar, e tempo de descontrair.

Por norma, gosto de trabalhar de dia, pelo que organizo o meu dia de modo a que até às 17h/18h tenha despachado tudo o que tenha para fazer. Pelo meio, aproveito e faço umas pausas no jardim. Faz o mesmo. De dia ou de noite, faz o que tens a fazer, faz umas quantas pausas pelo meio, e depois o resto do tempo é só teu. Ler um livro, ver aquela série que querias ver há séculos, ou simplesmente procrastinar. A escolha é tua.

Com a mãezinha em casa, agora nem precisas de te preocupar com o que fazer para o almoço.

 

Explora o Mundo (a partir de casa)

Sabes aquela ida ao ginásio que andas a adiar há uma semana? Também não é agora que a vais concretizar. Aproveita as muitas aulas que têm sido transmitidas em direto no Instagram, junto os amigos no Skype, e tenham o vosso momento fit do dia. De facto, há todo um mundo lá fora que está há tua espera quando tudo isto acabar.

 

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Para já, tens um mundo inteiro por descobrir no teu computador ou telemóvel: a Internet. Usa e abusa dela. Faz as perguntas mais parvas ao Google. Os amigos também continuam a existir. Faz videochamadas. Liga àquele amigo a quem andas a prometer há meses um café, que nunca chegou a acontecer. Sim, assumo. Sou dessas pessoas. Culpado.

Quanto ao café da nossa aposta, esse vai ter de esperar. Porque tal como tu, também eu estou em casa. E é em casa que devemos continuar. Mas sempre ligados. No Whatsapp, no Instagram. Na Forum, e neste novo site. Fica atento!