Governos e autoridades de saúde de todo o Mundo procuram diminuir o ritmo de propagação do novo coronavírus. Conhece as razões para ficares em casa.

O número de infeções pelo novo coronavírus aumenta a um ritmo alucinante. Os primeiros 100.000 casos foram diagnosticados em 44 dias. Os 100.000 casos seguintes em 12 dias. Quatro dias depois, a barreira dos 300.0000 casos foi ultrapassada, no dia 21 de março.

Ainda que a taxa de letalidade do novo coronavírus não esteja definida de forma precisa, estima-se que 20% dos infetados necessitem de tratamento hospitalar, sendo que 5% desses precisarão de assistência médica avançada (internamento e acesso a ventilador). Por essa razão, o crescimento abrupto do número de infeções ameaça a capacidade de resposta dos sistemas e profissionais de saúde.

 

Infographic: Confirmed Coronavirus Cases | Statista

 

Em Itália, onde se contam, até ao momento, quase 100 mil infectados, cerca de 3900 pessoas (3,9%) estão em estado considerado "sério ou crítico". Este número coloca uma pressão muito grande sobre o sistema de saúde italiano, sendo difícil dar resposta às necessidades de tantos doentes em simultâneo. Em Espanha, com cerca de 86 mil casos no total, há 5200 em estado crítico (6%).

Devido a esta pressão, casos dramáticos registam-se nos hospitais destes países. A imprensa internacional tem noticiado situações em que os profissionais de saúde foram obrigados a escolher "quem vive e quem morre", por falta de equipamento médico. Até ao momento, já morreram quase 11 mil pessoas em Itália, em menos de 40 dias. Em comparação, durante o ano de 2014, no mesmo país, a gripe matou cerca de 8 mil pessoas.

 

E agora?

Tendo em conta que uma vacina segura e eficaz deverá demorar mais do que 12 meses a ser desenvolvida e testada e que não existe um tratamento eficaz conhecido para o vírus da Covid-19, que opções nos restam? As autoridades de saúde de todo o Mundo têm apelado às populações para cumprirem algumas normas de distanciamento social, ou seja, que reduzam os seus contactos com outras pessoas ao absoluto mínimo possível. 

Uma das particularidades deste novo coronavírus que complexifica a luta contra o contágio está no facto de uma pessoa sem sintomas poder transmitir o vírus. Este é um dado essencial para a compreensão da ameaça da Covid-19 e reforça a importância dos contactos serem diminuídos ao mínimo possível, evitando infectar e ser infectado, sem que o saibamos.

 


Protege-te a ti e aos que te rodeiam:
Não faças desporto em grupo ou em locais com muitas pessoas
Não marques encontros presenciais com amigos ou amigas
Não cumprimentes outras pessoas com beijos ou abraços
Não visites familiares ou vizinhos mais velhos

Não utilizes transportes públicos lotados
Não recebas visitas em casa


 

 

Por outro lado, o tempo de incubação (período em que alguém infetado pelo vírus está sem sintomas) pode chegar aos 14 dias, o que torna muito difícil a redução do ritmo de contágio. Isto porque é muito difícil alguém poder ter a certeza, sem recurso a um teste, de que não está infetado. É bom recordar que cada infetado contagia, em média, duas pessoas.

 

"Há poucos casos"?

O tempo longo de incubação cria ainda uma condicionante adicional. Portugal tem, neste momento, cerca de 3000 casos diagnosticados, um número relativamente baixo, quando comparado com outros países. Contudo, existirão ainda muitos outros casos em todo o País, que apenas serão conhecidos à medida que os sintomas se forem manifestando, ao longo dos próximos dias e semanas.

Se olharmos para os dados disponibilizados pela China, percebemos que, no momento em que o país tinha diagnosticado 440 casos, existiam já mais de 12.000 infeções. Ainda que não seja garantido que a mesma proporção exista em Portugal, o dado mostra a importância de adotar medidas de contenção o mais rapidamente possível.

 

Ficar em CasaIlustração de Clay Bennet para o Chattanooga Times

 

É importante salientar que, ainda que o risco de morte por infeção do novo coronavírus seja baixa entre os mais jovens (0.2% até aos 39 anos), estes podem servir como veículo de contágio, aumentando e criando novas cadeias de transmissão, levando o vírus até pessoas que poderão estar mais fragilizadas ou que pertençam ao grupo de risco (pessoas mais velhas e/ou doentes).

Tendo em conta este contexto, as autoridades de saúde internacionais têm apelado à redução do contacto com outras pessoas ao mínimo absoluto (compra de alimentos, ida à farmácia e deslocação para o trabalho, sobretudo). O impacto deste comportamento apenas será notório daqui a algumas semanas. Esta será a tua contribuição para garantir a segurança de todos os que te rodeiam.